Eu tinha 17 anos quando abri uma prova do ITA e tentei resolver.
Das 30 questões, consegui fazer uma.

Eu estava prestes a terminar o ensino médio e ainda tinha dificuldade para somar frações.
Foram 12 anos de escola:
decorei o que mandaram, passei nas provas e esqueci tudo.
Talvez essa também seja a sua história.
Naquele dia, entendi uma coisa:
Eu era um analfabeto funcional.
Mas decidi que não queria continuar sendo.
Pedi alguns livros pro meu pai, ele me deu.
Então voltei ao começo, às frações que eu fingia saber.
Uma página de cada vez.

Depois de passar duas, às vezes três horas na mesma página, vinha uma sensação quase mágica:
Pela primeira vez, as fórmulas não apareciam prontas. Elas carregavam sentido.
Eu comecei a me viciar na sensação de entender como a Matemática e a Física realmente funcionavam.
Foi quando tive uma ideia:
E se eu gravasse as aulas que gostaria de ter tido?
Só havia um problema: eu não tinha uma câmera.
Mas tinha um amigo, meu xará: Felipe.
Colei com ele para vender paçoca no centro de BH.
Cinco por um real.
Foram 3 meses até juntar a importância de mil reais!
O bastante para comprar uma câmera e começar um canal.
Assim nasceu o Queda Livre.
Com o canal, fui tomando gosto por ensinar. Percebi que já não queria o ITA.
Entrei em Engenharia Mecânica na UFMG, em primeiro lugar.
Vale dizer: eu nunca estudei para o vestibular. Estudei para aprender.
A nota foi e, geralmente é, apenas uma consequência.
No sétimo período, eu já dava aula em alguns dos melhores
cursinhos do Brasil,
inclusive para turmas ITA.
Foi quando assumi algo que já sabia há tempo...
Engenharia me interessava pouco. O que eu amava era a ciência pura.
Mudei para Física na UFMG, onde me formei e fiz mestrado em Gravitação Quântica em Laços.
Mas essa é outra história.


No fim de 2020, em plena pandemia, eu tinha bons salários,
prestígio e espaço nos principais cursinhos do país.
Então pedi demissão
de todos eles.
Para muita gente, foi um choque.
Para mim, estava muito claro.
Eu não acreditava naquele sistema.
Não acreditava em macetes para passar no vestibular,
nem em musiquinhas para decorar conteúdo.
Não acreditava em dar a mesma aula para 40 pessoas diferentes.
E, acima de tudo, não acreditava em ensinar sem paixão, sem história e sem sentido.
Foi assim que o Queda Livre virou o Universo Narrado.
Eu tinha saltado no escuro.
E uma queda só pode terminar de duas formas: ou você bate no chão ou se lança rápido o bastante para cair eternamente, sem nunca tocar o chão.
Em alguns anos, o Universo Narrado se tornou
a maior escola de Exatas do país.
Mais de 50 mil alunos, mais de um milhão de inscritos no YouTube, cursos completos e livros publicados pela nossa própria editora, a Editora 314.


Algo muito maior do que aquele menino de 18 anos, que gravava aulas no quarto da mãe, seria capaz de sonhar.
O Universo Narrado se tornou maior do que ele.
E maior do que eu.
Porque essa história nunca foi sobre mim.
Todo mundo tem uma prova que não conseguiu ler.
O Universo Narrado existe para que você descubra que é sim capaz.


E que estudar é um estilo de vida,
não um mal necessário
para passar em uma prova.
